Desde a Praça Tahir até aos recentes protestos em Israel, grupos de jovens e com níveis de educação superiores se têm manifestado de formas muito vizíveis.
Os protestos em regimes autocráticos e a "Pimavera Árabe" têm, como se sabe, como principais objectivos a abertura e/ou deposição de Regimes Corruptos e a transição para a Democracia, apesar de serem movimentos muito abrangentes - o perigo do aproveitamente desta onda por movimentos islamitas poderia estar por perto (foi esta, em grande medida, a retórica do regime líbio e é a retórica do sírio), embora não nos pareça.
Muito diferentes são os protestos nos países com regimes livres, como Espanha, Grécia ou, mais recentemente, Israel, não esquecendo a "nossa" "Geração à Rasca". Estes grupos de protesto partem de uma juventude cujas aspirações têm sido frustradas. Exigindo casas ou uma ajuda à habitação, mais emprego ou menos precariedade, acampamentos foram montados na Porta do Sol, na Rothschild Boulevard e no Rossio - sim, eu sei que o "nosso" foi bastante mais modesto, mas não é sempre assim?
O que está em causa são as expectativas de uma geração que nasceu e cresceu num período de grande prosperidade e em países em que o Estado teve fortes políticas públicas de incentivos à economia, e que agora têm grande dificuldade ou se vêem mesmo impedidos de continuar essas políticas. Em suma, tanto Portugal como Espanha, Grécia e, por razões diferentes, Israel comprometeram-se com o progresso e que o futuro seria sempre mais próspero. Ainda hoje, a título de exemplo, Mário Soares, por quem temos uma enorme simpatia pelo seu percurso político na defesa intransigente da democracia liberal em Portugal antes e depois do 25 de Abril, se afirma como crente no progresso. Meus caros, é mesmo uma espécie de religião.
A defesa de "Estados Parceiros", redistribuidores de riquezas e "Justiceiros Sociais" foi o ideal da Social Democracia europeia nas últimas décadas e o choque de realidade que a crise trouxe explica a sua falência e a sua necessidade de redefinição.
Resolver as crises com investimento público é um jogo muito perigoso, Sócrates que o diga! É que o investimento público, que se faz com base no endividamento, precisa de níveis de crescimento elevado. Se não o houver... Kaput. Que o FMI ou a Troika nos valha!
O que parece ser a resposta é um equilíbrio entre liberalismo e conservadorismo. É por isso que compreendo tão bem a Chanceler Merkel.
Já o que se passa em Londres, e que faz lembrar os arredores de Paris há uns anos, é muito diferente...

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