quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Encruzilhada europeia

Em Junho de 1914, os tiros disparados por Gravilo Princip em Sarajevo contra o Arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo foram suficientes não só para matar o príncipe herdeiro e a sua mulher, bem como para destruir os difíceis e ténues equilibrios dos Balcãs, o que precipitou o fim do Império Austro-Hungaro e serviram de catalisador para uma das mais sangrentas guerras da História da Humanidade.
Nessa segunda década do século XX, a economia mundial prosperava e, ainda assim, sentimentos nacionalistas e/ou imperialistas e "ideias por detrás da metralhadora, em vez de interesses" (citação muito livre da expressão dita ou escrita recentemente por Pacheco Pereira) conduziram a um conflito que não visava principalmente a maximização de ganhos e a minimização das perdas por parte dos beligerantes, visava antes em primeiro lugar a maximização das perdas dos inimigos.
Nos dias que correm, se juntarmos à crise económica e financeira e crise das dívidas soberanas que a Europa atravessa o cada vez maior afastamento que as populações sentem face à construção europeia e a enorme distância que têm dos centros de decisão - que deriva em grande medida da falta de consideração que os líderes europeus têm mostrado para com os seus concidadãos, o neo-colonialismo franco-alemão de que Rui Tavares falava no Público de ontem e o desrespeito formal para com os centros de decisão formais que ao que parece têm cada vez menor importância e o surgimento de um crescente preconceito do pelotão da frente, da "Europa da 1ª velocidade", do Norte contra o Sul ou do Centro contra a cada vez maior e mais próxima periferia - já não falamos só da Grécia, da Irlanda e de Portugal, falamos também da Espanha e da Itália, podemos ter misturado os ingredientes suficientes que apenas esperam de uma chama, um catalisador que leve ao fim do "Império europeu"e da Pax Kantiana em que vive a Europa há décadas - esquecendo a península balcânica no fim da Jugoslávia, um pequeno intervalo na História do velho continente.
Nunca podemos esquecer que os actores políticos e as populações nem sempre se comportam de uma forma racional. Parafraseando Niall Ferguson, "por mais complexa que seja a estrutura administrativa que estamos a estudar, jamais devemos perder de vista os instintos básicos escondidos no mais íntimo dos homens mais civilizados".

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cultura à esquerda e à direita

Via Nuno Lobo, tivemos acesso a uma possível síntese , caricatural já se vê, do que é a visão da criação cultural à direita e à esquerda. Mário Vargas Llosa escreveu no El Pais:
"(...) no nosso tempo, a cultura deixou de ser essa resposta séria e profunda para as grandes perguntas do ser humano sobre a vida, a morte, o destino, a história, que no passado tentou ser, e transformou-se, por um lado, num divertimento ligeiro e inconsequente, e, por outro, numa cabala de especialistas incompreensíveis e arrogantes, confinados em fortalezas de gírias e palavras crípticas e a anos-luz do comum dos mortais."
( a tradução também é do Nuno Lobo)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ultimatum

Este governo começou bem. A tomada de posse de Passos Coelho, de quem desconfiava e desconfio, trouxe desde logo um ambiente mais agradável. É sabido. Sócrates era parte do problema e não da solução. Um cliché.
Conseguimos compreender a necessidade imediata, e sublinho imediata, da subida de impostos, na sua generalidade espero que temporária - sim, eu sei que as taxas de IVA sobre o Gás e a Electricidade jamais descerão, mas isso não é o essencial.
O que é o essencial? Aquilo que estou à espera é que o governo apresente o seu plano de descida da despesa pública de forma sustentada e estrutural. Que o governo apresente as suas ideias para reformar a função pública e o papel do Estado. O que fazer com institutos e fundações não indispensáveis. E de caminho o que pensa fazer, meu caro Passos Coelho, com o Governo Regional da Madeira... Veja lá se põe ordem naquilo de uma vez por todas, da maneira que achar mais conveniente, mais autonomia ou quase independência do género "queres dinheiro vai ao Totta", o regresso do General Azeredo, sei lá! Entendam-se!
É este o meu Ultimatum: ou me respondem ou começo a dizer mal de vocês!

Serviço Público

Muito se tem falado nos últimos tempos em privatizar a RTP, em concreto, a RTP1. Se à esquerda se diz que se vai perder o Serviço Público prestado pelo canal público de televisão, à direita diz-se que a RTP é um sorvedor de dinheiro. O segundo argumento é sobejamente conhecido e pode e deve ser demonstrado por pessoas que o queiram fazer e bastante mais habilitadas do que eu. Se o superior interesse nacional é manter a RTP e pagá-la a peso de ouro, pague-se. Tenho, no entanto, grandes dúvidas quanto à necessidade de, nestes tempos de Internet, Meos e Tv Cabo, se financiar um "serviço público" de televisão nos moldes actuais. Mas se se concluir em amplo concenso que é necessário, é preciso definir o que é isso de serviço público. Será a programção actual da RTP1?
Vejamos a de hoje:
06.05 Nós; 06.30 Bom Dia Portugal; 10.00 Missa da Assunção de Nossa Senhora; 11.00 Verão Total; 13.00 Jornal da Tarde; 14.10 Ribeirão do Tempo; 14.27 Revelação; 14.55 Há Volta; 16.00 Ciclismo; 18.00 Portugal em Directo; 19.10 Preço Certo; 20.00 Telejornal; 21.00 Reportagem RTP; 21.30 Quem quer ser milionário; 22.30 Conta-me como Foi; 23.37 Cidade Despida; 00.24 Filme: Longe do Paraíso; 02.24 Anatomia de Grey; 03.05 Poder Paralelo; 03.55 Televendas; 05.56 Euronews.

Serão as Televendas? Os concursos para distribuir dinheiro pela populaça?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Londres


Quem vê de longe o que se está a passar nas ruas de Londres, não consegue perceber por que carga de água as forças policiais não usam força a sério. Bem sei que o uso exagerado de força por parte das autoridades pode conduzir ao extremar de posições. Mas não se passou já dos limites? O uso de força por parte do Estado é legítimo e justifica-se plenamente na situação explosiva que se vive em Inglaterra. Pode ser que haja vítimas, mas todos os que estão a provocar os motins e as pilhagens sabem ou deveriam saber que há consequências para estes comportamentos. Garantir a segurança é favorecer o Estado de Direito e a Liberdade - a primeira função do Estado é garantir a integridade física e dos bens dos seus cidadãos.
Pode e deve tentar-se compreender as razões que conduzem a estes comportamentos, mas isso não pode servir para os desculpar. Agora é tempo de acção!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Momento Activista

O Post do Henrique Raposo e o post do Tempo Contado.

Clichés

Adoro Lisboa em Agosto!
(desculpa, não resisti a pôr um óleo da Maluda)

Protestos nos dias que correm

Desde a Praça Tahir até aos recentes protestos em Israel, grupos de jovens e com níveis de educação superiores se têm manifestado de formas muito vizíveis.
Os protestos em regimes autocráticos e a "Pimavera Árabe" têm, como se sabe, como principais objectivos a abertura e/ou deposição de Regimes Corruptos e a transição para a Democracia, apesar de serem movimentos muito abrangentes - o perigo do aproveitamente desta onda por movimentos islamitas poderia estar por perto (foi esta, em grande medida, a retórica do regime líbio e é a retórica do sírio), embora não nos pareça.
Muito diferentes são os protestos nos países com regimes livres, como Espanha, Grécia ou, mais recentemente, Israel, não esquecendo a "nossa" "Geração à Rasca". Estes grupos de protesto partem de uma juventude cujas aspirações têm sido frustradas. Exigindo casas ou uma ajuda à habitação, mais emprego ou menos precariedade, acampamentos foram montados na Porta do Sol, na Rothschild Boulevard e no Rossio - sim, eu sei que o "nosso" foi bastante mais modesto, mas não é sempre assim?
O que está em causa são as expectativas de uma geração que nasceu e cresceu num período de grande prosperidade e em países em que o Estado teve fortes políticas públicas de incentivos à economia, e que agora têm grande dificuldade ou se vêem mesmo impedidos de continuar essas políticas. Em suma, tanto Portugal como Espanha, Grécia e, por razões diferentes, Israel comprometeram-se com o progresso e que o futuro seria sempre mais próspero. Ainda hoje, a título de exemplo, Mário Soares, por quem temos uma enorme simpatia pelo seu percurso político na defesa intransigente da democracia liberal em Portugal antes e depois do 25 de Abril, se afirma como crente no progresso. Meus caros, é mesmo uma espécie de religião.
A defesa de "Estados Parceiros", redistribuidores de riquezas e "Justiceiros Sociais" foi o ideal da Social Democracia europeia nas últimas décadas e o choque de realidade que a crise trouxe explica a sua falência e a sua necessidade de redefinição.
Resolver as crises com investimento público é um jogo muito perigoso, Sócrates que o diga! É que o investimento público, que se faz com base no endividamento, precisa de níveis de crescimento elevado. Se não o houver... Kaput. Que o FMI ou a Troika nos valha!
O que parece ser a resposta é um equilíbrio entre liberalismo e conservadorismo. É por isso que compreendo tão bem a Chanceler Merkel.
Já o que se passa em Londres, e que faz lembrar os arredores de Paris há uns anos, é muito diferente...

domingo, 7 de agosto de 2011

Cultura de Jornal

A não perder a entrevista de ontem de Rory Stewart ao Público
"(...)  muito do meu trabalho é tentar forçar o Governo a sair dos seus gabinetes, a ir ver as pessoas, pôr de lado as suas estratégias e ganhar uma noção de realidade."

Declaração de Princípios